segunda-feira, 10 de outubro de 2016

INDIGNAI-VOS!

Será votada, possivelmente hoje (10/10/2016), na Câmara dos Deputados, a PEC 241. Conhecida como #PECdadesigualdade e #PECdofimdomundo, essa proposta de emenda constitucional, capitaneada pelo governo Temer, determina, dentre outras as coisas, a redução drástica de investimentos nas áreas da saúde e da educação por um prazo de 20 anos. Saúde e educação, sacam? Aquelas áreas que praticamente toda a população enaltece quando manifesta seu descontentamento político, mas ignora/desconhece as graves implicações quando submetidas a um projeto neoliberal de poder.

Nós, das classes dominadas, dependentes dos serviços públicos, seremos extremamente prejudicados. Está ruim atualmente? Muito. Todavia, cortar investimentos em áreas tão prioritárias é um absurdo! Como precarizar ainda mais esses serviços públicos poderá melhorá-los? E precarizá-los radicalmente por 20 anos!

O governo Temer gasta muita grana com publicidade para convencer você de que estamos em uma crise econômica de graves proporções, necessitando de abruptos cortes de gastos por parte do Estado. A grande imprensa, em constantes conchavos com a classe política, defende essa perspectiva. Porém, pense comigo: se o governo tem tanta preocupação com uma possível "responsabilidade fiscal", por que o Michel Temer (PMDB) concedeu aumento de 41,5% para o Judiciário, segmento que representa o teto salarial do funcionalismo público? O ministro Ricardo Lewandovski, presidente do STF até meados de setembro, por exemplo, recebeu, no mês passado, um total bruto de R$37.476,93 -- fora outros benefícios. O valor líquido, isto é, considerando os descontos, correspondeu a R$24.045,81 (1). Multiplique isso pelos outros dez ministros do STF. Depois, considere os demais membros do Poder Judiciário. Lembre-se do Executivo (presidência, governos dos estados, prefeituras). Não desconsidere, também, os ganhos no Legislativo (Senado, Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas estaduais e Câmaras municipais). 

Atente-se, aliás, para o valor exorbitante da dívida pública, cuja auditoria, necessária e urgente, foi vetada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Somente em 2015, por exemplo, a maior parte do orçamento da União foi destinado para os juros e amortizações da dívida (45,11%). Para você ter uma ideia, os valores destinados à educação (3,73%), à saúde (3,98%), ao trabalho (3,21%) e à cultura (0,06%) foram ínfimos perto do valor correspondente à dívida pública. Programas sociais como o Bolsa Família, constantemente submetidos ao jugo da desinformação -- sendo considerados, por algumas pessoas, como responsáveis pelas grandes despesas do Estado brasileiro --, obtiveram apenas 3,08% da "fatia orçamentária" (2).
Mediante tais pontos, questione comigo: por que nós temos de lidar com os encargos resultantes dos desmandos da classe política, dos grandes juízes e do patronato? Por que a população mais pobre, dependente dos serviços públicos, é que tem de pagar a conta? Como exigir "educação e saúde de qualidade" e apoiar esse absurdo "teto" proposto pelo Temer?

Precisamos nos mobilizar enfaticamente contra a PEC 241. A meu ver, dificilmente ela será reprovada na Câmara dos Deputados. Posteriormente, irá para o Senado. Ficaremos nós à espera de mais um ataque das classes dominantes, lamentando por nossa "má sorte", ou nos organizaremos para combatê-lo? Aceitaremos um sacrifício de 20 longos anos ou faremos valer nossa vontade contra mais um absurdo?
Precisamos LUTAR E RESISTIR.

Ps: algumas informações a respeito da PEC 241 podem ser encontradas em publicação do portal Nexo Jornal
<https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/10/09/O-que-é-e-quais-são-os-impactos-da-proposta-do-governo-para-congelar-o-gasto-público>.

========================================================================
(1) Essas informações estão disponíveis no portal da transparência do STF, uma vez que os ganhos de todos os servidores públicos devem ser expostos para consulta. Ver em: <http://www.stf.jus.br/po…/remuneracao/listarRemuneracao.asp…#>.
(2) Informações disponíveis em <http://www.sitraemg.org.br/como-a-auditoria-cidada-da-divi…/>, que propõe uma Auditoria Cidadã.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O Protesto

O protesto

Protesto contra o mal da força e da justiça:
Um degrada a fraqueza, outro excita à agressão;
Contra a fé que reduz o homem a alma submissa,
Iludindo-o com céus que nunca se abrirão.

Clamo contra o senhor, clamo contra a cobiça,
Inventora de leis, criadora de opressão.
Sou Spártacus e odeio a pátria se esperdiça
Meu sangue e faz, do suor, esforço hostil e vão.

Bradam, no meu protesto, os prantos do passado...
Ira acêsa de todo um mundo sofredor;
Mártir do amo, do rei, do padre, do soldado!

Sou a nova intuição contra a lei do Senhor;
Sou a ação que destrói a moral do pecado,
Para erigir o orgulho e libertar o amor.

José Oiticica (1919)