terça-feira, 16 de março de 2021

Dia D, Hora H

Grande líder 

Estimado presidente 

Nos lidera rumo ao abismo 

Ocasionado por seu preciosismo 

Cloroquina resolve? 

Ivermectina nos salva? 

Dia D, hora H 

A pilha de corpos não para de aumentar

domingo, 22 de setembro de 2019

Sobre a arte e seu poder de provocar reflexões

Hoje tive a oportunidade de assistir ao musical "Lazarus", uma das últimas façanhas do David Bowie antes de sua partida rumo às estrelas, digamos. Trata-se de uma obra inspirada no livro "O homem que caiu na Terra", de Walter Tevis. Não custa lembrar que o próprio Bowie, em 1976, estrelou o filme baseado no livro.

"Lazarus" aborda a história de Thomas Newton, um alienígena que veio à Terra. Em "O homem que caiu na Terra", seu objetivo era levar água para seu planeta natal, salvando sua família; na Terra, porém, vivenciou uma série de experiências novas: se relacionou com Mary Lou, que se interessou por ele; enriqueceu se aproveitando de ter conhecimentos tecnológicos avançados; desenvolveu um apreço nocivo pelo álcool. Pouco a pouco, suas possibilidades de retornar a seu planeta se afastaram.

Em "Lazarus", reencontramos um Thomas Newton entorpecido por seu vício em gin e sua obsessão por cookies. Visto não propriamente como um alienígena, mas uma pessoa excêntrica, permanece solitário em seu apartamento; Mary Lou fora embora há muito tempo. Mantendo sua juventude apesar do avançar dos anos - o que chama a atenção das pessoas -, Newton diz estar "morrendo aos poucos" diariamente, apesar de a mortalidade não lhe parecer uma realidade - ao menos não em uma temporalidade terrestre. A essa altura, sequer sabemos se a apenas mencionada Mary Lou está viva.

Solitário, melancólico, entorpecido: pouco a pouco, Newton se entrega à loucura. Aparentemente, seus únicos contatos com a realidade são um homem que conhece sua natureza e Ellie, uma mulher recém-contratada para trabalhar como assessora. Ellie, em particular, está infeliz com diferentes aspectos de sua vida, como seu casamento: nos diálogos mantidos com o marido, não deixou de expor essas questões. A jovialidade e a excentricidade de Newton passaram a chamar sua atenção - em busca de uma "vida nova", pinta seu cabelo de azul e chega a se convencer de que era Mary Lou. Como a própria assume, não necessariamente amava o alienígena, mas ansiava por mudanças nos rumos que tomara.

A loucura leva Newton a manter contato com pessoas que não se sabe se existem de fato, como uma jovem que eventualmente aparece com o objetivo de lembrar a Newton sobre seus antigos propósitos - ou seja, retornar ao planeta natal. O alienígena, inclusive, pede que ela lhe conte alguma lembrança boa, como quando ele levava sua filha às colinas para observar as estrelas e contar histórias. Sua família ainda estaria viva depois de tantos anos? Aos poucos, essa jovem passa a representar a "esperança" para Newton.

Paralelo a isso, temos também a introdução de um personagem chamado Valentine. Curioso para conhecer Newton - que parece acompanhar desde criança -, ele procura se apresentar como um sujeito tranquilo e afável, disposto a colaborar com o alienígena no sentido deste alcançar um lugar verdadeiramente pacífico se comparado à Terra. Valentine, no entanto, é um homem frio e calculista, frequentemente demonstrando não ter muito senso de moral. Em algumas cenas, suas mãos aparecem tingidas com o sangue de suas vítimas - o próprio Valentine diz que sempre há um "amor a morrer". Não é demais lembrar que, inclusive, em seu penúltimo álbum, "The Next Day", Bowie lançou a música "Valentine's Day", que trata de um assassino. "Valentine sold his soul / He's got something to say".

"Lazarus" é uma obra profunda que, além de nos encantar pela beleza com que é executada, nos faz refletir sobre algumas questões que surgem. Enquanto assistia, me foi inevitável pensar sobre a solidão, a melancolia, o amor, a perversão de objetivos, a esperança e a nossa mortalidade. Em meio à solidão, à entrega ao vício e ao abandono, Newton tem de lidar com o peso do passado: não conseguiu retornar a seu planeta natal. As personagens aparentemente projetadas por sua cabeça, aliás, parecem refletir um conflito interno: o conformismo com a situação em que se encontra ou a busca por retomar seu antigo propósito. Nesse sentido, a jovem que passa a representar uma "esperança" tem um papel fundamental.

Ellie, por sua vez, me fez pensar sobre frustrações por, muitas vezes, nossas vidas não seguirem os rumos que verdadeiramente desejávamos. Amargurada e infeliz, seu anseio por mudanças a incentiva, inclusive, a assumir a personalidade de uma pessoa que não é. Ellie não era Mary Lou e o próprio Newton pareceu deixar isso evidente.

Tratada em alguns momentos da história, a morte se fazia ainda mais presente com Valentine. Ele assassinou o homem que conhecia Newton, assumindo sua jaqueta de couro; um casal que anteriormente havia lhe contado uma história romântica de como se conheceram; ao final, incentiva Newton a matar a jovem que representava a "esperança". Essa morte, porém, foi incentivada pela própria jovem, que disse se tratar de uma mulher não totalmente morta, mas não totalmente viva, desejando, enfim, morrer de uma vez. Nesse sentido, a morte adota uma conotação curiosa: embora representasse, na prática, o assassinato das esperanças do alienígena - a ser cometido pelo próprio -, configuraria uma redenção a ela. Ao final, surpresa: ela parece não morrer de fato e o diálogo se segue em um ambiente estrelado, como se Newton estivesse mantendo a já mencionada conversa com sua filha.

Tudo isso em meio a uma execução impecável. As músicas selecionadas para o espetáculo, representantes de diferentes fases da carreira do próprio Bowie, contribuem muito para o andamento da narrativa; foi um prazer ouvir de "Lazarus", de seu derradeiro álbum, a outras como "The man who sold the world", "Life on mars?", "Where are we now?", "Changes", "Sound and vision", entre outras. Todas muito bem cantadas pelos atores, por sinal. Jesuíta Barbosa, que interpretou o protagonista, inclusive, merece menção a parte: ficou tão parecido fisicamente que facilmente podíamos abstrair e considerar que estávamos diante de uma continuação legítima da história que o próprio Bowie interpretou há 43 anos.

A cenografia foi um show a parte: um palco móvel, aliado a um espelho ao fundo, provocava diferentes sensações ao espectador, inclusive de profundidade do espaço. Vez ou outra, aliás, esse palco móvel também se portava como um telão, reproduzindo, entre outras coisas, cenas do filme "O homem que caiu na Terra". Músicos muito competentes tornaram os arranjos incríveis: as adaptações não tiraram o "peso" das músicas originais e contribuíram decisivamente para reforçar o que estava sendo visto na atuação.

Vale, por fim, fazer uma menção honrosa à crítica ao capitalismo selvagem, que brevemente deu as caras no espetáculo: o planeta natal de Newton esgotara seus recursos naturais justamente por conta dele. E tá errada a crítica? Sem dúvidas, não. hahaha




David Bowie foi, sem dúvidas, um dos maiores artistas de todos os tempos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

INDIGNAI-VOS!

Será votada, possivelmente hoje (10/10/2016), na Câmara dos Deputados, a PEC 241. Conhecida como #PECdadesigualdade e #PECdofimdomundo, essa proposta de emenda constitucional, capitaneada pelo governo Temer, determina, dentre outras as coisas, a redução drástica de investimentos nas áreas da saúde e da educação por um prazo de 20 anos. Saúde e educação, sacam? Aquelas áreas que praticamente toda a população enaltece quando manifesta seu descontentamento político, mas ignora/desconhece as graves implicações quando submetidas a um projeto neoliberal de poder.

Nós, das classes dominadas, dependentes dos serviços públicos, seremos extremamente prejudicados. Está ruim atualmente? Muito. Todavia, cortar investimentos em áreas tão prioritárias é um absurdo! Como precarizar ainda mais esses serviços públicos poderá melhorá-los? E precarizá-los radicalmente por 20 anos!

O governo Temer gasta muita grana com publicidade para convencer você de que estamos em uma crise econômica de graves proporções, necessitando de abruptos cortes de gastos por parte do Estado. A grande imprensa, em constantes conchavos com a classe política, defende essa perspectiva. Porém, pense comigo: se o governo tem tanta preocupação com uma possível "responsabilidade fiscal", por que o Michel Temer (PMDB) concedeu aumento de 41,5% para o Judiciário, segmento que representa o teto salarial do funcionalismo público? O ministro Ricardo Lewandovski, presidente do STF até meados de setembro, por exemplo, recebeu, no mês passado, um total bruto de R$37.476,93 -- fora outros benefícios. O valor líquido, isto é, considerando os descontos, correspondeu a R$24.045,81 (1). Multiplique isso pelos outros dez ministros do STF. Depois, considere os demais membros do Poder Judiciário. Lembre-se do Executivo (presidência, governos dos estados, prefeituras). Não desconsidere, também, os ganhos no Legislativo (Senado, Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas estaduais e Câmaras municipais). 

Atente-se, aliás, para o valor exorbitante da dívida pública, cuja auditoria, necessária e urgente, foi vetada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Somente em 2015, por exemplo, a maior parte do orçamento da União foi destinado para os juros e amortizações da dívida (45,11%). Para você ter uma ideia, os valores destinados à educação (3,73%), à saúde (3,98%), ao trabalho (3,21%) e à cultura (0,06%) foram ínfimos perto do valor correspondente à dívida pública. Programas sociais como o Bolsa Família, constantemente submetidos ao jugo da desinformação -- sendo considerados, por algumas pessoas, como responsáveis pelas grandes despesas do Estado brasileiro --, obtiveram apenas 3,08% da "fatia orçamentária" (2).
Mediante tais pontos, questione comigo: por que nós temos de lidar com os encargos resultantes dos desmandos da classe política, dos grandes juízes e do patronato? Por que a população mais pobre, dependente dos serviços públicos, é que tem de pagar a conta? Como exigir "educação e saúde de qualidade" e apoiar esse absurdo "teto" proposto pelo Temer?

Precisamos nos mobilizar enfaticamente contra a PEC 241. A meu ver, dificilmente ela será reprovada na Câmara dos Deputados. Posteriormente, irá para o Senado. Ficaremos nós à espera de mais um ataque das classes dominantes, lamentando por nossa "má sorte", ou nos organizaremos para combatê-lo? Aceitaremos um sacrifício de 20 longos anos ou faremos valer nossa vontade contra mais um absurdo?
Precisamos LUTAR E RESISTIR.

Ps: algumas informações a respeito da PEC 241 podem ser encontradas em publicação do portal Nexo Jornal
<https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/10/09/O-que-é-e-quais-são-os-impactos-da-proposta-do-governo-para-congelar-o-gasto-público>.

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(1) Essas informações estão disponíveis no portal da transparência do STF, uma vez que os ganhos de todos os servidores públicos devem ser expostos para consulta. Ver em: <http://www.stf.jus.br/po…/remuneracao/listarRemuneracao.asp…#>.
(2) Informações disponíveis em <http://www.sitraemg.org.br/como-a-auditoria-cidada-da-divi…/>, que propõe uma Auditoria Cidadã.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O Protesto

O protesto

Protesto contra o mal da força e da justiça:
Um degrada a fraqueza, outro excita à agressão;
Contra a fé que reduz o homem a alma submissa,
Iludindo-o com céus que nunca se abrirão.

Clamo contra o senhor, clamo contra a cobiça,
Inventora de leis, criadora de opressão.
Sou Spártacus e odeio a pátria se esperdiça
Meu sangue e faz, do suor, esforço hostil e vão.

Bradam, no meu protesto, os prantos do passado...
Ira acêsa de todo um mundo sofredor;
Mártir do amo, do rei, do padre, do soldado!

Sou a nova intuição contra a lei do Senhor;
Sou a ação que destrói a moral do pecado,
Para erigir o orgulho e libertar o amor.

José Oiticica (1919)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Reflexão 2

     Meu orgulho não está condicionado a uma bandeira; meu espírito, tampouco restrito a fronteiras. Não limito minha consciência, liberto-a com premência. (André Sf Ed)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Reflexão

     Pensante, algo súbito a comete o instante: me recuso a ser súdito e não me curvo ante meu "semelhante". (André Sf Ed)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Apenas "manobras" de Cunha? Os privilégios da política institucional e o retrocesso

     O golpismo¹ do sabotador Eduardo Cunha (PMDB-RJ), patrocinado por uma corja de deputados (e, sim, por instituições alheias ao Congresso), é um claro indício de que, para além de questionar a proposta de redução da maioridade penal e sua aprovação, deveríamos contestar o paradigma de se fazer política "institucionalmente" no Bra$il.
     A atual legislatura denota o Congresso mais conservador desde os tenebrosos "anos de chumbo". Tal perspectiva política, muito mais embasada em aspectos religiosos, interesses privados e permeada pelo mito do "cidadão de bem" certamente é uma prova de como as forças políticas do Legislativo podem se articular para suplantar políticas de viés minimamente progressistas. Todavia, o eixo central da problemática está neste modelo de democracia tupiniquim, representativo, no qual os representantes permanecem anos-luz de distância em relação aos representados.
      A classe política (independente se é de âmbito federal, estadual e municipal, aliás), no Bra$il, detém inúmeros privilégios que certamente contribuem para os retrocessos dos quais somos vítimas constantes. Em tempos de críticas raivosas de uma direita contra programas sociais como o Bolsa-Família ou em oposição a políticas afirmativas tal qual as Cotas, pouco clamor encontramos quando se trata de contestar os inúmeros benefícios que um político (e seus familiares) possuem. Se há clamor, ele esmorece rapidamente em discursos vazios e genéricos "contra a corrupção" e em pouca ação prática, isto é, direcionada com propósito transformador. Há auxílio para moradia, escritório político, transporte (e não para metrô, trem ou ônibus, coisas do "cidadão comum", mas carros institucionais e passagens de avião)... Para além disso, salários com cerca de cinco dígitos. Há poucos anos, inclusive, a classe política recebia o equivalente ao 14º e 15º salários - ela "derrubou" tais benesses depois, em 2013², celebrando seu "espírito democrático" (na verdade, suprimir prerrogativas como essas era o mínimo a se fazer, não tem nada de "espírito democrático", foi apenas uma jogada para melhorar a imagem ante a opinião pública).
      Participar da política institucional nada tem a ver com disposição em "representar o povo e seus anseios". Essa forma política é apenas uma ferramenta lucrativa, como a relação "simbiótica" com empreiteiras, por exemplo. É a "máquina pública" submissa aos interesses e ao capital privado.
      Vivemos uma crise de representatividade evidente. Parte disso se deve à falta de eco entre representados e representantes, cuja distância é fortalecida pelas muitas prerrogativas detidas pelos últimos.
      Cunha manobrou. A Constituição de 1988, a "Cidadã", não passa de "letra-morta" em suas aspirações.
      Um golpe foi aplicado na Câmara no dia 01/07. Porém, não se iludam imaginando que a questão da maioridade penal é o "gatilho" disso: na verdade, são anos de privilégios e interesses privados parasitando a "máquina pública".
      O Bra$il e sua jovem e imatura democracia podem se pautar pela lógica da representatividade. Todavia, não me sinto nem um pouco representado.
    
     Precisamos nos opor a este paradigma político institucional de cunho (um pouco com teor de trocadilho, por que não?) parasitário. Da maneira que as coisas são, não se iludam: não há chances de uma "reforma política" conduzida por parlamentares ser positiva.
É preciso fazer valer nossas vozes.

Notas:
¹http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/07/1650544-reducao-da-maioridade-avanca-na-camara-apos-manobra.shtml?cmpid=facefolha

²http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/02/27/camara-aprova-por-unanimidade-fim-do-pagamento-de-14-e-15-salarios-a-parlamentares.htm