Muito interessante o livro "O que é a propriedade?", do anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon. Após iniciar sua análise estabelecendo que a propriedade "é o roubo", o autor argumenta de forma incisiva, elaborada e, muitas vezes, irônica para justificar sua proposição.
Proudhon dividiu sua obra em cinco capítulos, buscando, de início, explanar o "direito de propriedade", enfatizando que este é um absurdo, ilegítimo, injustiça que fomenta a exploração e a opressão do "homem sobre o homem". A terra, um "instrumento" concedido pela natureza e utilizado para garantir a perpetuação do homem, não pode ser apropriada, nem por ocupação, nem por trabalho. Para garantir que a igualdade permeie a sociedade (algo essencial) e satisfaça as necessidades dos seus componentes, a terra e os demais "instrumentos" devem ser baseados na "posse", repartidos de forma a atender a todos.
O autor faz um paralelo com escritos de economistas e filósofos (Destutt de Tracy, Jean-Baptiste Say, Comte, Cousin), defensores da manutenção da propriedade, contrapondo-se a eles através de cálculos e situações cotidianas.
No livro ainda consta o papel exercido pelo Estado de forma a perpetuar a desigualdade e a necessidade de atingirmos a anarquia. Nas palavras de Proudhon: "A liberdade é igualdade, pois liberdade só existe no estado social e fora da igualdade não existe sociedade. A liberdade é anarquia, pois não admite o governo da vontade, apenas a autoridade da lei, isto é, a necessidade".
Recomendo!

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