segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Poesia?

Para criticar e satirizar a maioria dos trabalhos poéticos do momento, pautados somente por uma exagerada tendência a só falar de "amor, dor e pé na bunda", lá vai:  

ANTI-POEMA

"Sou poeta, expresso o meu drama
Tenho pesadelos e urino na cama
Sou poeta, um trovador solitário
Todo dia jogo sozinho Super Mario

Sou poeta, belo como a violeta
Ansiei por uma ninfa e acabei com uma ninfeta
Sou poeta, um 'romântico' à antiga
Mas copio Drummond e Clarice é minha diva

Sou poeta, adoro Dorian Gray
É personagem do Wilde? Talvez, não sei
Sou poeta, a tristeza é companheira fiel
Estou no banheiro e sempre acaba meu papel

Sou poeta, meu verso é arte sublime,
Sou tão clichê e já nem sei o que deprime
Sou poeta, da rosa me atrai o perfume
Fui cheirá-la e escorreguei em um estrume

Sou poeta, em meu peito reside a cicatriz
Fui esfaqueado por não pagar a meretriz
Sou poeta, em mim há algo latente
Já não sei se é amor ou prisão de ventre

Sou poeta, pássaro preso na gaiola
Sou muito sensível, mas me chamam de 'boiola'
Sou poeta, a existência me desespera
E apenas tu tens paciência para ler tanta merda"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Paranoia delirante


"Noite fria, chuva constante
Paranoia delirante
Mais um dia chega ao fim
Puta que pariu, quanto sofrimento,
por que tem de ser assim?

A cidade imersa em melancolia
Álcool, cigarro: a mente 'anestesia'
Paro, penso: 'não era isso que queria'
Porra, não há outra via?

Enquanto sigo o caminho
O pensamento se atenua,
Escassa comida, noite mal dormida
E, amanhã, a vida continua"