terça-feira, 18 de junho de 2013

O Anarquismo como "liberalismo reacionário": somente para o PSTU...



   Recentemente, o PSTU publicou um texto acerca do Anarquismo, constante no link: http://www.pstu.org.br/node/19465. Ao observar o conteúdo do texto, que apresenta diversas inconsistências e erros crassos, busquei produzir uma crítica à produção do partido:

     O PSTU não poderia estar mais equivocado: reduzir, através de uma argumentação bastante deficitária, o Anarquismo a um "individualismo neoliberal" e "reacionário" é uma demonstração óbvia de desconhecimento do assunto ou, mais do que isso, uma ação de má fé.
Apesar da abrangência de princípios como a autogestão e autonomia, os quais não ignoram a existência do indivíduo, o Anarquismo não se pauta exclusivamente pela defesa do individualismo, uma vez que - apesar das muitas vertentes - apresenta a preocupação de construir uma sociedade livre da divisão por classes e de coletivizar os meios de produção em prol dos trabalhadores (princípios observados, por exemplo, no "Anarco-comunismo" ou "Comunismo Libertário").
     A prática libertária anarquista, entretanto, como pode se observar claramente em Proudhon, apenas não ignora a existência de diferenças entre indivíduos, uma vez que, como o próprio autor expõe, "cada indivíduo possui um pensamento" e anseios. Isso, muitas vezes, é pouco ou sequer é compreendido pelos ditos "marxistas", que, como se pôde observar em experiências do século XX, muitas vezes procuraram impor uma homogeneização de forma autoritária e estúpida.
      O apartidarismo, sim, é uma postura enfaticamente defendida pelos libertários, que, no entanto, não rejeitam organizações em grupo, como coletivos ou os sindicatos (como ignorar o papel do Anarcossindicalismo, por exemplo, na São Paulo do início do século XX? Desconhecimento histórico?). Para os "marxistas", trata-se de algo impensável, uma vez que há a preferência de uma organização hierárquica que, obviamente, leva a uma - na falta de uma terminologia melhor - "diferença de poder" entre os trabalhadores.
      Em suma, o aparentemente desconhecimento dos "troskos" a respeito do Anarquismo é grotesco, incorrendo num texto de teor bastante discutível.
      Muitas das posições do PSTU são bastante discutíveis. Resta lamentar o desserviço que o partido proporcionou ao escrever uma merda dessas, além de procurar entender suas motivações: seria por que, no atual contexto de manifestações - sobretudo as do MPL - há uma maior evidência dos anarquistas no movimento, em contraste com os "troskos", que procuram ir ao "front" somente quando a causa parece propícia aos interesses do partido?
     Não caguem mais dessa forma, caras. Sério. Com um discurso tão viciado assim, daqui a pouco parecerão "a Veja da esquerda".

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